Suas passadas rápidas me impressionaram logo de cara. Atiçou minha curiosidade, para onde iria tão rápido e aquele hora da noite? Porque sorria se estava atrasado? Não, acho que não estava. Não andava tão depressa por ter perdido a hora para um compromisso muito importante, pessoas assim demonstram preocupação em suas expressões, mas esta sorria. Parecia ter prazer em ir para onde estava indo, parecia correr não contra o tempo, mas para aproveitar mais o tempo onde e com quer que fosse ver aquela noite.
Posso imaginar que naquele momento desejava que suas passadas alcançassem distâncias cada vez maiores, que seus braços se movimentasse mais e mais rápido para que ganhasse mais velocidade. Até que chegou um momento em que andar rápido já não o satisfazia mais, seu desejo de chegar era grade demais. Então correu. Correu e logo virou a esquina naquela avenida e não pude vê-lo mais.
Restou-me minhas teorias, muitas delas fantaziosas demais. Gosto de acreditar que estava indo encontrar sua pessoa preferida no mundo todo, e que a saudade ou a vontade de estar com esta pessoa era tão grande que não podia se contentar em andar. Gosto de acreditar que do outro lado, ele também era a pessoa preferida de alguém, e que este alguém o esperava com uma ansiedade tão grande quanto a que ele tinha de encontra-la. E principalmente, gosto de acreditar que um dia desses terei minha pessoas preferida, e serei sua pessoa preferida e ele vai correr sorridente enquanto eu o espero do outro lado.
