terça-feira, 24 de julho de 2012

Solte o Balão"


A menina brincava com seu balão vermelho, era um balão especial, estava cheio de gás hélio e por isso estava sempre flutuando sobre a cabeça da menina que o segurava por um barbante amarrado na parte inferior do balão. Seus olhinhos brilhavam quando olhavam para aquele vermelho vivo sob a luz do dia e seu coração disparava toda a vez que o barbante escorregava por entre seus dedinhos e balão quase era levado pelo vento. Isso aconteceu várias vezes até que a menina percebeu que um balão de gás flutuante deveria fazer isso mesmo, flutuar. O lugar do balão de vermelho tão vibrante não era preso a suas mãozinhas seguras. Ela o soltou mesmo sabendo que sentiria falta de brincar com ele. Mas nada que escape pelos dedos a qualquer vacilo ou distração, é coisa merecedora de manter-se amarrada ao coração.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Água, terra e adubo"


Agora assim como estou, sóbria de meus sentimentos, é mais fácil enxergar o que precisava ver a muito tempo. Não ter apenas uma visão superficial, mas "ver" no sentido de entender. Entender porque o processo foi tão longo e doloroso, e porque mesmo quando pensei que já estava tudo bem, ainda restava um pedacinho de mim em recuperação. É como um paciente que já saiu da UTI mas ainda precisa ficar em observação.
O que eu não via, no sentido de entender, é que assim como é lento o processo de construção de algo tão complexo quanto um sentimento, é igualmente complexo e lento o processo de desconstrução deste sentimento. De início parece fácil como vem escrito em livros de auto-ajuda.Os autores costumam dizer que são fases, primeiro não se percebe a realidade, segundo sente-se uma revolta pela realidade ser como é, terceiro sofre-se muito nessa realidade, quarto a dor vai passando aos pouquinhos e ficam a saudade e a esperança, e em quinto vai-se a esperança e ficam apenas as boas lembranças e o que se aprendeu na vivência de tudo isso. Além de tantas outras coisas ,eles esquecem de dizer o quanto a segunda fase é dolorosa e que para uns ela  pode ser mais longa que para outros. Palavras escritas em folhas brancas não resolvem, as folhas são sempre iguais, mas os olhos que as leem são diferentes.
A única verdade absoluta, é que passa. Os poetas acertam ao dizer que alguns sentimentos são como plantas, se regadas e tendo sua terra tratada elas crescem verdes,fortes e até dão flores mas, sem água e adubo, elas morrem. Da minha planta foram-se a água e o adubo, ela morreu e ficou a terra. Cabe a mim cuidar eu mesma dessa terra e prepara-la para abrigar uma nova semente. A boa notícia? Minha própria água é corrente e meu adubo é forte.

domingo, 8 de julho de 2012

Sem dúvida improvise"


Como sempre o ônibus está demorando a passar, mas a espera já não incomoda tanto.Uma senhora atravessa a rua na direção da calçada onde fica o ponto de ônibus e quando chega próximo ao paralelepípedo me pede ajuda para subir, eu ajudo. Sabe aquela sensação de utilidade, de importância por alguém precisar de você? Foi o que senti. As vezes ser útil a alguém faz mais bem a nós mesmos do que a própria pessoa que foi ajudada. Mas não é sobre essa senhora que quero falar.
Ainda esperando, chega uma mulher de mãos dadas com o filho, um menino de uns quatro anos no máximo. Ela para na calçada e o menino logo começa a andar de um lado para o outro, curioso e agitado ele olha para todas as pessoas no ponto, seus olhinhos castanhos estão quase cobertos por seu cabelo liso e ele usa um casaco azul com um capuz que está sobre a cabeça. Por um momento ele caminha até bem próximo do asfalto, a mãe sem perder tempo o puxa pelo braço com uma delicada firmeza e diz olhando nos olhos dele "filho sossega um pouco, lá não pode!". O menino não se mostra contente com a ordem da mãe mas obedece sem pirraça (coisa rara hoje em dia). Como toda criança, logo cansa de esperar parado e de pé. Então ele de costas para a mãe se aproxima andando sem se virar e quando chega próximo as pernas dela, ela as junta e ele se senta sobre seus pés e coloca as mãozinhas no queixo. Isso me chamou a atenção. Ela não dispunha de uma cadeira, porque se tivesse a daria. Não podia lhe dar o colo pois também estava de pé e carregava sacolas nas mãos, mas fez o seus melhor. Fez dos seus pés o assento para o menino obediente que cansara de se agitar. Dizem que ser mãe é padecer no paraíso,eu me arrisco a dizer que é também usar do improviso.

domingo, 1 de julho de 2012


"- Presta atenção,presta atenção,presta bastante atenção...
Eu moro em Londres uma cidade histórica,linda e vibrante na qual eu amo viver.Você mora em New York que é super estimada. Como o atlântico é largo demais para atravessar todos os dias a nado,de barco ou de avião,vamos decidir isso na moeda.Mas se você não quiser aceitar isso eu deixo Londres com todo prazer se você estiver me esperando do outro lado,porque a verdade é que eu te amo... loucamente,profundamente,verdadeiramente e apaixonadamente.''


Cartas Para Julieta