terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Corredor "


Suas passadas rápidas me impressionaram logo de cara. Atiçou minha curiosidade, para onde iria tão rápido e aquele hora da noite? Porque sorria se estava atrasado? Não, acho que não estava. Não andava tão depressa por ter perdido a hora para um compromisso muito importante, pessoas assim demonstram preocupação em suas expressões, mas esta sorria. Parecia ter prazer em ir para onde estava indo, parecia correr não contra o tempo, mas para aproveitar mais o tempo onde e com quer que fosse ver aquela noite.
Posso imaginar que naquele momento desejava que suas passadas alcançassem distâncias cada vez maiores, que seus braços se movimentasse mais e mais rápido para que ganhasse mais velocidade. Até que chegou um momento em que andar rápido já não o satisfazia mais, seu desejo de chegar era grade demais. Então correu. Correu e logo virou a esquina naquela avenida e não pude vê-lo mais.
Restou-me minhas teorias, muitas delas fantaziosas demais. Gosto de acreditar que estava indo encontrar sua pessoa preferida no mundo todo, e que a saudade ou a vontade de estar com esta pessoa era tão grande que não podia se contentar em andar. Gosto de acreditar que do outro lado, ele também era a pessoa preferida de alguém, e que este alguém o esperava com uma ansiedade tão grande quanto a que ele tinha de encontra-la. E principalmente, gosto de acreditar que um dia desses  terei minha pessoas preferida, e serei sua pessoa preferida e ele vai correr sorridente enquanto eu o espero do outro lado.

sábado, 27 de outubro de 2012

Do lado de fora é mais fácil"


Sempre encaro os problemas dos outros com o máximo de maturidade e realismo que puder, mas quando se trata da gente é tão mais complicado. Uma briga com um amigo, namorado ou familiar, um fim de namoro, uma matéria que não entra na cabeça, qualquer coisa parece muito fácil de resolver na teoria, quando não somos nós que vamos viver aquilo naquele momento e suas consequências depois.
Sempre tem uma amiga que diz, "porque você não faz aquilo que me disse para fazer, lembra?". E realmente não faço, é incrível. Não é de propósito ou caso pensado, é natural. Não serei paciente como disse para alguém ser, não serei compreensiva sempre, não serei madura sempre (aquele chilique que disse para uma amiga não dar, um dia eu darei), não conseguirei deixar de  chorar naquele momento que não devia chorar, não saberei dizer não para aquela pessoa, enfim. Sempre será difícil fazer exatamente o que digo nesses momentos, é como dizem por ai, quem vê de fora enxerga melhor, mais fácil. Mas paciência, pelo menos uma boa conselheira eu posso ser, ou não (risos).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A vida é bem melhor"


De repente a porta bate fazendo um barulho agudo e estrondoso, ela se levanta e caminha calmamente até a sala para verificar. Só foi o vento. Ninguém chegou, ninguém saiu, o vento simplesmente invadiu a sala, rodou por toda a casa e voltou, mas como um bom rapaz, bateu a porta antes de sair. Educado ele não é? E ela que pensara em mil causas para o  batimento da porta, todas fora da realidade, todas que só aconteceriam em filmes hollywoodianos.
Hoje ela enxerga e aprecia a realidade, lhe dá o devido valor. Para que sonhar com coisas tão difíceis de acontecer, não impossíveis, mas tão raras quanto ganhar na mega sena acumulada? A realidade pode ser tão ou mais linda que qualquer filme, livro ou história. Suas amizades podem ser tão loucas, verdadeira e fiéis. Seus pais podem ser tão amigos e companheiros. Seus irmãos podem ser tão divertidos e conselheiros. Seu romance pode ser tão bonito e surpreendente. Depende do seu comportamento, seja tão louco, verdadeiro e fiel com seus amigos; seja tão amigo e companheiro de seus pais; seja tão divertido e conselheiro com seus irmãos e faça  com que seu romance seja, para o outro, o que você espera que seja para você.
As amizades vão de decepcionar as vezes, seus pais não vão lhe dar a resposta que você espera sempre, seus irmãos nem sempre vão dizer o que você quer ouvir e seu romance não vai ser sempre o mesmo dos primeiros dias, mas, paciência! Perdoe, aceite, ouça e se adapte. A vida é bem melhor que qualquer filme desde que você se esforce para isso.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sexo Frágil? "


Ela estava atrasada, muito atrasada. E sua última chance de chegar á tempo era um ônibus que já estava parado do ponto quando ela ainda dobrava a esquina. Sem tempo de lamentar, segurou firme a bolsa que levava no ombro e começou a correr. O motor do ônibus fez um barulho de acelerar e ela ainda estava longe. Não vendo outra solução, parou por dois segundos e tirou dos pés os saltos altos. Então correu. Correu como se fosse uma competidora de "Triathlon" ou "São Silvestre", correu e alcançou o ônibus com tempo de esperar o último passageiro da fila subi os degraus, isso ainda arrumando os cabelos, que na corrida ficaram desgrenhados. Quando subiu os degraus e ficou na visão do motorista, sorriu simpática e cumprimentou com um "Boa noite!" aquele homem que a olhava espantado com o fato de ela estar segurando na barra de ferro com uma das mãos e calçando os sapatos com a outra.
Ao passar pela catraca ela já estava recuperada, sentou-se duas cadeiras a diante do cobrador. Distância curta o suficiente para poder ouvir o motorista comentar com seu companheiro de trabalho o quão prática e eficiente uma mulher pode ser em uma situação embaraçosa como aquela, ela sorriu delicadamente ao ouvir o cobrador complementar a fala do motorista dizendo, " isso tudo sem perder o charme".
É como disse alguém por ai: "Sexo frágil? Sangrar todo mês, suportar as mudanças de humor, se equilibrar em um salto alto, ter que cuidar de cabelo, pele e unha, ver o cara com outra e dar conta de tudo. Frágil seria se eu sentasse no sofá e só assistisse futebol."
No fundo, até o mais machista dos homens admite que de frágil o sexo feminino não tem nada.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Quatro Paredes"


Elas compreendem o que você diz, não te julgam por se chatear ou chorar mesmo por quem não merece. Elas deixam você falar até o fim, não te interrompem. Compreendem quando quer ficar em silêncio, não fazem perguntas. Elas não se importam se você molhá-las com suas lágrimas quando o travesseiro já está ensopado demais, compreendem seus acessos de raiva e deixam que extravase nelas com pequenos socos. Quando você está feliz elas estão lá, acompanham seu sorriso bôbo ao olhar para o teto, deixam que você apóie seus pés nelas quando se deita na cama e fica de cabeça para baixo só para ter a sensação de que vai ver o mundo de forma diferente, não vai. Elas abafam o seus segredos quando você se esquece de sussurrar, é atrás delas que estão guardadas suas lembranças de amigos - de amores. E quando você põe a sua música favorita no último volume, elas não te pedem para abaixar. E você pode sair, passar horas fora, mas com certeza quando voltar elas estarão no mesmo lugar só esperando, caso precise do seu silêncio.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quem sabe amanhã"


A lua lá fora está linda, na verdade, a noite está linda. Está frio e o céu está cheio de nuvens que volta e outra tentam cobrir o brilho da lua cheia, um clima perfeito para sentar e escrever sobre o amor. Mas hoje não estou romântica.
Na verdade estou me perguntando nesse exato momento porque teria de falar sobre amor? Só porque está frio? Porque não falar no calor? E porque esse clima é tão agradável aos apaixonados? Talvez a resposta a esta última pergunta esteja no próprio clima, que dá uma vontade de se esquentar e como sabemos, não há forma melhor de fazer isso do que um outro alguém bem pertinho. Mas tenho para mim que a resposta está na carência nata que as pessoas tem de ter alguém por perto. Por mais que muitos neguem, faz parte da natureza humana precisar de alguém e o frio só torna essa vontade, que é uma necessidade, ainda mais evidente.
Hoje estou me privando dessa vontade, estou indo de encontro com essa teoria. Está frio e lindo lá fora, e estou adorando estar sozinha sobre minha cama escrevendo coisas que talvez ninguém leia. Talvez eu é que seja fria, é o que podem pensar. Mas hoje me orgulho de ter esse clima frio e essa lua linda só para mim. Hoje não gostaria de dividi-los com ninguém, hoje não, quem sabe amanhã.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Solte o Balão"


A menina brincava com seu balão vermelho, era um balão especial, estava cheio de gás hélio e por isso estava sempre flutuando sobre a cabeça da menina que o segurava por um barbante amarrado na parte inferior do balão. Seus olhinhos brilhavam quando olhavam para aquele vermelho vivo sob a luz do dia e seu coração disparava toda a vez que o barbante escorregava por entre seus dedinhos e balão quase era levado pelo vento. Isso aconteceu várias vezes até que a menina percebeu que um balão de gás flutuante deveria fazer isso mesmo, flutuar. O lugar do balão de vermelho tão vibrante não era preso a suas mãozinhas seguras. Ela o soltou mesmo sabendo que sentiria falta de brincar com ele. Mas nada que escape pelos dedos a qualquer vacilo ou distração, é coisa merecedora de manter-se amarrada ao coração.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Água, terra e adubo"


Agora assim como estou, sóbria de meus sentimentos, é mais fácil enxergar o que precisava ver a muito tempo. Não ter apenas uma visão superficial, mas "ver" no sentido de entender. Entender porque o processo foi tão longo e doloroso, e porque mesmo quando pensei que já estava tudo bem, ainda restava um pedacinho de mim em recuperação. É como um paciente que já saiu da UTI mas ainda precisa ficar em observação.
O que eu não via, no sentido de entender, é que assim como é lento o processo de construção de algo tão complexo quanto um sentimento, é igualmente complexo e lento o processo de desconstrução deste sentimento. De início parece fácil como vem escrito em livros de auto-ajuda.Os autores costumam dizer que são fases, primeiro não se percebe a realidade, segundo sente-se uma revolta pela realidade ser como é, terceiro sofre-se muito nessa realidade, quarto a dor vai passando aos pouquinhos e ficam a saudade e a esperança, e em quinto vai-se a esperança e ficam apenas as boas lembranças e o que se aprendeu na vivência de tudo isso. Além de tantas outras coisas ,eles esquecem de dizer o quanto a segunda fase é dolorosa e que para uns ela  pode ser mais longa que para outros. Palavras escritas em folhas brancas não resolvem, as folhas são sempre iguais, mas os olhos que as leem são diferentes.
A única verdade absoluta, é que passa. Os poetas acertam ao dizer que alguns sentimentos são como plantas, se regadas e tendo sua terra tratada elas crescem verdes,fortes e até dão flores mas, sem água e adubo, elas morrem. Da minha planta foram-se a água e o adubo, ela morreu e ficou a terra. Cabe a mim cuidar eu mesma dessa terra e prepara-la para abrigar uma nova semente. A boa notícia? Minha própria água é corrente e meu adubo é forte.

domingo, 8 de julho de 2012

Sem dúvida improvise"


Como sempre o ônibus está demorando a passar, mas a espera já não incomoda tanto.Uma senhora atravessa a rua na direção da calçada onde fica o ponto de ônibus e quando chega próximo ao paralelepípedo me pede ajuda para subir, eu ajudo. Sabe aquela sensação de utilidade, de importância por alguém precisar de você? Foi o que senti. As vezes ser útil a alguém faz mais bem a nós mesmos do que a própria pessoa que foi ajudada. Mas não é sobre essa senhora que quero falar.
Ainda esperando, chega uma mulher de mãos dadas com o filho, um menino de uns quatro anos no máximo. Ela para na calçada e o menino logo começa a andar de um lado para o outro, curioso e agitado ele olha para todas as pessoas no ponto, seus olhinhos castanhos estão quase cobertos por seu cabelo liso e ele usa um casaco azul com um capuz que está sobre a cabeça. Por um momento ele caminha até bem próximo do asfalto, a mãe sem perder tempo o puxa pelo braço com uma delicada firmeza e diz olhando nos olhos dele "filho sossega um pouco, lá não pode!". O menino não se mostra contente com a ordem da mãe mas obedece sem pirraça (coisa rara hoje em dia). Como toda criança, logo cansa de esperar parado e de pé. Então ele de costas para a mãe se aproxima andando sem se virar e quando chega próximo as pernas dela, ela as junta e ele se senta sobre seus pés e coloca as mãozinhas no queixo. Isso me chamou a atenção. Ela não dispunha de uma cadeira, porque se tivesse a daria. Não podia lhe dar o colo pois também estava de pé e carregava sacolas nas mãos, mas fez o seus melhor. Fez dos seus pés o assento para o menino obediente que cansara de se agitar. Dizem que ser mãe é padecer no paraíso,eu me arrisco a dizer que é também usar do improviso.

domingo, 1 de julho de 2012


"- Presta atenção,presta atenção,presta bastante atenção...
Eu moro em Londres uma cidade histórica,linda e vibrante na qual eu amo viver.Você mora em New York que é super estimada. Como o atlântico é largo demais para atravessar todos os dias a nado,de barco ou de avião,vamos decidir isso na moeda.Mas se você não quiser aceitar isso eu deixo Londres com todo prazer se você estiver me esperando do outro lado,porque a verdade é que eu te amo... loucamente,profundamente,verdadeiramente e apaixonadamente.''


Cartas Para Julieta


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Palavras soltas de uma mente confusa"


Não é tão fácil quanto parece. Nada é tão fácil. Mas talvez não seja assim tão complicado quanto parece - tá, sem hipocrisia - é muito difícil, é insuportavelmente difícil, absurdamente difícil. Só não é impossível. Será que não é mesmo impossível? Será que não existe mesmo alguém nesse mundo que não tenha conseguido? Entre sete bilhões de pessoas todas com toda certeza conseguem? Em milênios de existência humana, será possível que pelo menos um não tenha conseguido?
Acredito em pessoas assim, talvez seja cedo demais para afirmar, mas talvez eu seja assim. É possível que para mim seja impossível, pelo menos é o que enxergo agora, enxergo tão claramente essa impossibilidade que penso em desistir. Devo? Não sei. Valeria a pena? Talvez. São igualmente prováveis as possibilidades de valer ou não a pena. Seria justo? Talvez não. Mas também não foi justo para mim. É egoísmo pensar assim? Pode ser, mas quem não é?
Estas palavras ficaram confusas para você? Sem nexo? Imagine agora como está a situação para mim, assim como qualquer um que ler essas palavras e achar tudo muito confuso, como você está achando agora, é confuso e estranho para mim também, não as palavras, porque eu as escrevi, mas o momento. Sendo assim, peço que se intenderes alguma coisa, uma frase qualquer que seja e souberes me explicar, explique. Porque eu já estou quase desistindo de tentar exolicar algo que não sei entender.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A Verdade Que Liberta"


Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres (Jo 8:36). O Evangelho de Cristo fala de liberdade e isso é muito claro nas escrituras, a Verdade nos libertará - E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8:32) - mas, essa não é qualquer verdade, essa verdade da qual as escrituras falam é a única verdade, é A Verdade e não apenas mais uma das milhões de "verdadedezinhas" que são pregadas por ai.A palavra de Deus é a verdade - Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade (Jo 17:14) -, é ela pura e simplesmente como está escritura que nos liberta das prisões desse mundo e que nos garante uma liberdade sem igual, que muitas vezes é desrespeitada e desconsiderada por doutrinas humanas.
Quem somos nós para ditar como devem ser as roupas,os cabelos,a comida,os horários, etc, para que alguém possa ser considerado cristão? Para Cristo, basta que sejamos semelhantes a Ele, não que isso seja tarefa fácil. Quando Cristo curava enfermos ele antes perdoava os seus pecados - Mc 2;5 - , quando perdoava os pecados dizia para que não pecassem mais - Jo 8:11 - e essa era sua única recomendação, Ele não dizia " a partir desse momento,você só frequenta tais lugares,só usa tais roupas,só vai a tal igreja...".O Evangelho de Cristo é baseado no amor, e quem ama não faz aquilo que entristece a pessoa amada. Para Cristo basta que o amemos, porque se realmente o amarmos de todo o coração e todo o nosso entendimento, procuraremos ser como Ele quer que sejamos, semelhantes a Ele. O melhor é sempre se perguntar se Cristo faria aquilo que temos feito.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O barulho das lembranças"


Daqui da sala sentada no sofá e com a porta aberta, fico ouvindo o barulho da molecada brincando lá fora. Lembro-me de minha infância,assim, barulhenta, de manhãs vendo desenho animado, tardes na escola e as noites na rua com a meninada toda brincando de pique-esconde, pega-pega, polícia e ladrão, boca de forno, estátua... Tantas brincadeira inocentes que na época, no sossego da rua entravam a noite até as onze horas, meia noite, dependendo do humor dos nossos pais.
Época tão boa, tão pura. Não tínhamos medo do perigo, na verdade creio que nem havia algum perigo para nós ali. Sinto falta de cada partícula mínima da minha infância, o cheiro, o gosto, a textura, tudo ainda é parte de mim em algum lugar aqui dentro, eu sei.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Um Dia Muda Tudo"


Um dia muda tudo. Não existem escolhas pequenas nem insignificantes, não existem meras palavras, um sim não é apenas um sim, assim como um não não é apenas uma resposta. Qualquer palavra dita tem o poder de mudar muito, tanto o poder para mudar apenas uma hora de um dia de nossas vidas, quanto o poder para mudar uma vida inteira.
Escolher esperar ou escolher agir, escolher ficar ou escolher partir, escolher falar ou escolher calar. Uma escolha pode mudar muito, se não tudo. As escolhas foram esperar, partir e falar, e sim, elas mudaram muito. Mudaram os dias seguintes, que mudaram um conceito, que fez nascer um sorriso, que abriu uma porta, que permitiu a entrada, que trouxe uma luz, que iluminou um coração. Não foi por acaso, foi inesperado. Não foi sem querer, foi de surpresa. Mas já estava planejado, nós é que não sabíamos nem esperávamos, nós é que fomos pegos de surpresa por esse encontro que mudou o jeito de olharmos um para o outro. E eu? Eu voltei a ver as borboletas!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Coisas Velhas"


Não entendo porque inventar de mexer no que está quieto. As "coisas velhas" estão lá, encaixotadas, tudo muito bem guardado e mexe-se em tudo sem motivo algum. Só para trazer nostalgia ,só para fazer lembrar de coisas que se deve esquecer. Já foi tão difícil deixar tudo para trás.
A memória não ajuda, está sempre trazendo a tona aquelas lembranças antigas, para que piorar ainda mais tornando essas lembranças físicas? Talvez as "coisas velhas" estejam muito fáceis, ao alcance das mãos a qualquer momento. Está na hora de tirá-las de lá, trocar de lugar, se encaixotar não resolveu é por que está na hora de dar um destino final as essas coisas. Longe do alcance do toque das mãos, longe do campo de visão dos olhos. Afinal de contas se não há mais dor, os olhos não vão chorar pelo que não verem, as mãos não vão tremer pelo que não tocarem e o coração não vai acelerar pelo que não sentir.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sem Palavras"


A quarenta e oito minutos estou em frente ao computador pensando no que escrever. Me disseram que para escrever as vezes é preciso esvaziar a mente, mas considerando esses quarenta e oito minutos e nem uma palavra escrita, acho que minha mente já está bem vazia. Então fiquei pensando qual seria o problema comigo hoje, sempre tem muito mais facilidade para falar com as palavras escritas do que com palavras ditas e hoje, justo hoje que queria tanto ter algo a dizer, elas simplesmente sumiram da minha mente. Tentei usar a técnica de respirar fundo, espreguiçar, dá uma volta no corredor da casa. Nada funcionou. Acho que hoje o melhor seria ficar em "silêncio escrito", deixar para escrever quando as palavras vierem a mente com tanto força que qualquer papel que esteja por ali dando sopa se torna tão precioso quanto um papiro.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ela"


Ela é tímida e muitas vezes anda olhando para seus próprios pés, quando acanhada procura algo nas mãos para se distrair, uma anel, uma caneta ou os próprios dedos. Se está com as amigas se enche de coragem e fica mais desinibida, ri mais alto, fala demais e chega até a ser engraçada. Sozinha só faz mesmo o que é extremamente necessário, se puder adiar algo para fazer só quando estiver na companhia de alguém ela adia sem pensar duas vezes. Não gosta de comer sozinha mas, gosta de ter um tempo só seu em casa,muitas vezes escolhe ficar em casa e não sair, muitas outras reclama por não ter para onde ir. Se ela não estiver se sentindo no mínimo arrumadinha, não adianta insistir ela não vai querer sair na foto. As vezes sabe exatamente o que quer, outras ela se confunde um pouco ou muito. Já foi chamada de complicada e perfeitinha, mas nega veementemente a parte do perfeitinha. E na verdade, se alguém perguntar a ela o que ela quer, ela vai responder sem pensar: "Eu quero querer as coisas certas".

sexta-feira, 2 de março de 2012

O rapaz de cabelos charmosamente bagunçados"


Sentada na cadeira de um ônibus com o sol batendo em meu rosto tornando o calor ainda mais incômodo,vi uma sena interessante.Por mania de olhar aos arredores me virei para a esquerda,foi quando os meus olhos ficaram presos a uma sena um tanto quanto confusa,talvez até engraçada.Um rapaz alto que usava blusa branca e calça jeans e o cabelo despenteado,mas de um jeito charmoso,andava na calçada olhando para os carros lentos e seus motoristas impacientes que buzinavam sem parar.Então,sem interromper sua caminhada debaixo daquele sol escaldante,ele começou a contar os carros,pelo menos foi o que pareceu aos meus olhos ali da janela.Enquanto seu dedo apontava para os carros,seus lábios se mexiam como se falasse algo,mas minha leitura labial está um pouco destreinada.Der repente ele sorria,é sorria,assim do nada,como se os carros engarrafados e os motoristas nervosos fossem engraçados,divertidos quem sabe.Então ele abaixou a mão com a qual apontava os carros e a colocou no bolso da calça,curvou o pescoço e ainda com aquele sorriso,onde só rimos com os lábios, seguiu seu caminho.Talvez para outras pessoas uma sena como essa não chamasse tanta atenção,mas o fato é que o que me atraiu não foi o rapaz e seu cabelo "charmosamente" bagunçado,foi seu jeito simples de se divertir com um momento que para outras pessoas é só uma parte chata do dia a dia da vida urbana.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Egoísmo"


Vamos falar de egoísmo,que palavrinha feia não é?.Mas convenhamos que ela em todo o seu significado faz parte de nossas vidas.Sim,porque,não adianta,mesmo o mais generoso dos homens pensa só em si em algum momento em que deveria pensar em todos.O fato é que todo ser humano é naturalmente egoísta.
Eva,a primeira mulher do mundo, não ofereceu o fruto proibido a seu marido por generosidade,por querer dividir com ele a suposta sabedoria sobre o bem e o mal que a serpente lhe garantiu.Ela dividiu com ele porque no fundo sabia que era um erro e não queria sofrer as consequências sozinha.Adão por sua vez,é egoísta ao jogar toda a culpa do seu erro sobre sua mulher.E estes dois são apenas os primeiros da fila,deles em diante cresce um mundo de egoistazinhos.
Mas, não desista do ser humanos ainda,vamos ter um pouco mais de fé em nós e nos outros,é difícil,eu sei,mas vamos ser generosos uns com os outros e acreditar que ainda podemos vencer essa natureza egoísta,mesmo que tropeçando alguns dias,afinal,somos as criaturas mais passíveis a errar da criação.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Complicações"


A gente sai de um lugar pequeno, porém confortável; molhado, porém quentinho; macio, porém forte o suficiente para nos proteger; longe de muitas pessoas, mas pertinho da pessoa que mais nos ama; escondido, mas todos sabem que estamos ali.Para vir para um mundo grande, porém muito desconfortável as vezes; seco,mas as vezes tão friu; sólido, mas as vezes tão perigoso; perto de tanta gente, mas as vezes longe de quem mais queremos por perto; a mostra, mas ha muitas vezes ninguém nos vê.Complicado né?!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Espontânea"


"Que vontade enorme que me deu agora, vontade de deixar a espontaneidade me invadir, vontade de me permitir fazer aquilo que só não faço por medo do julgamento alheio, vontade de por tudo, eu disse tudo, aquilo que gostaria de ser pra fora ser medo de causar risos ou espanto."

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Chinesinha"


Andava pela rua com a minha irmã, falávamos sobre várias coisas, observávamos as outras pessoas e comentávamos sobre elas, coisas bem tipicamente femininas. Era Dezembro, mês das festas de fim de ano, que na verdade são mais comerciais do que comemorativas, então as ruas estavam abarrotadas de pessoas, consumidores em potencial como diria um economista.
Descendo uma rua procurando uma maneira mais fácil de atravessar para o outro lado, já que o trânsito estava bem tenso, passou por nós uma garotinha de pouco mais de um ano e sua mãe. Eram orientais,provavelmente chinesas, considerando que o número de chineses é crescente em nossa cidade. Quando fomos nos aproximando, a garotinha que estava olhando para seus próprios pés, levantou o rosto e abriu um sorriso largo e bonito para nós, sorrimos de volta e ela levantou as bochechas apertando um pouco mais os olhinhos puxados, tão pequeninos, na tentativa de seu sorriso ficar ainda maior. A minha irmã disse "que linda" olhando para a menina, então a mãe nos olhou e nos deu um sorriso, como se agradecesse pelo elogio a sua filha.Seguimos o nosso caminho e elas também continuaram seu passeio, alguns passos depois olhei para trás e encontrei os olhinhos da chinesinha que também me olhava, ela sorrio de novo e se virou alegre voltando a olhar para seu pezinhos.
Esse momento durou apenas alguns segundos, mas, desde então, sempre que penso em sinceridade me lembro daqueles olhinhos apertados e daquele sorriso tão espontâneo e desinteressado.