domingo, 8 de julho de 2012

Sem dúvida improvise"


Como sempre o ônibus está demorando a passar, mas a espera já não incomoda tanto.Uma senhora atravessa a rua na direção da calçada onde fica o ponto de ônibus e quando chega próximo ao paralelepípedo me pede ajuda para subir, eu ajudo. Sabe aquela sensação de utilidade, de importância por alguém precisar de você? Foi o que senti. As vezes ser útil a alguém faz mais bem a nós mesmos do que a própria pessoa que foi ajudada. Mas não é sobre essa senhora que quero falar.
Ainda esperando, chega uma mulher de mãos dadas com o filho, um menino de uns quatro anos no máximo. Ela para na calçada e o menino logo começa a andar de um lado para o outro, curioso e agitado ele olha para todas as pessoas no ponto, seus olhinhos castanhos estão quase cobertos por seu cabelo liso e ele usa um casaco azul com um capuz que está sobre a cabeça. Por um momento ele caminha até bem próximo do asfalto, a mãe sem perder tempo o puxa pelo braço com uma delicada firmeza e diz olhando nos olhos dele "filho sossega um pouco, lá não pode!". O menino não se mostra contente com a ordem da mãe mas obedece sem pirraça (coisa rara hoje em dia). Como toda criança, logo cansa de esperar parado e de pé. Então ele de costas para a mãe se aproxima andando sem se virar e quando chega próximo as pernas dela, ela as junta e ele se senta sobre seus pés e coloca as mãozinhas no queixo. Isso me chamou a atenção. Ela não dispunha de uma cadeira, porque se tivesse a daria. Não podia lhe dar o colo pois também estava de pé e carregava sacolas nas mãos, mas fez o seus melhor. Fez dos seus pés o assento para o menino obediente que cansara de se agitar. Dizem que ser mãe é padecer no paraíso,eu me arrisco a dizer que é também usar do improviso.

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